Após 20 anos, adolescentes da Casa da Fraternidade remontam peça teatral que resgata lendas de Araranguá

Após 20 anos, adolescentes da Casa da Fraternidade remontam peça teatral que resgata lendas de Araranguá

“Dizem que foi, Dizem que é” reúne histórias da tradição oral de Araranguá e marca o encontro entre memória, teatro e novas gerações

Histórias que atravessaram gerações e fazem parte da memória popular de Araranguá voltaram aos palcos pelas mãos de uma nova geração. A peça teatral “Dizem que foi, Dizem que é”, remontada pelos alunos da Oficina de Teatro Popular da Casa da Fraternidade, apresenta ao público algumas das lendas que integram a rica tradição oral do município, entre elas o carreteiro que viu o diabo passar, o Monge João Maria, o bêbado que encontrou um tesouro e a história do Caracaxá.

A remontagem foi dirigida pela professora e artista Julia Teixeira e reúne 19 adolescentes participantes da oficina. As apresentações aconteceram no dia 19 de outubro, na EEB Prof.ª Neusa Ostetto Cardoso, no dia 20 de outubro, na EEB Prof.ª Dolvina Leite de Medeiros, e também em uma sessão aberta ao público, realizada no mesmo dia, no Ponto de Cultura Casa da Fraternidade.

Mais do que levar o teatro às escolas e à comunidade, a montagem representa um importante movimento de preservação e transmissão da cultura popular de Araranguá. São histórias que nasceram da oralidade, foram contadas e recontadas ao longo dos anos e que, agora, encontram nos adolescentes novos intérpretes para continuar circulando.

“Dizem que foi, Dizem que é” possui uma trajetória que remonta a 2005 e 2007, quando foi montada pela Cia. Teatral Bocarela das Palavradas, a partir de texto de Cátia Hahn e Alex Gomes, inspirado em uma obra literária sobre as histórias e lendas de Araranguá. Naquele período, a montagem foi realizada com alunos adultos da Casa da Cultura de Araranguá.

Cerca de 20 anos depois, a obra ganha uma nova montagem, agora construída por adolescentes da Casa da Fraternidade. Para os jovens artistas, interpretar essas histórias é também uma oportunidade de conhecer e valorizar parte da identidade cultural do lugar onde vivem.

A remontagem integra as ações da Oficina de Teatro Popular, que em 2026 faz parte do projeto “Caminhos de Resistência: Culturas Populares para Crianças e Adolescentes”, desenvolvido pela Casa da Fraternidade com apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA/SC) e financiamento por meio do Fundo da Infância e Adolescência (FIA).

O projeto tem entre seus objetivos promover o acesso, a valorização e a continuidade das manifestações da cultura popular, aproximando crianças e adolescentes de saberes, histórias e expressões culturais que fazem parte da identidade de suas comunidades.

Nesse contexto, a remontagem de “Dizem que foi, Dizem que é” ganha um significado especial: um texto criado há duas décadas volta à cena não apenas como uma lembrança do passado, mas como uma ponte entre gerações.

Ao interpretar as lendas de Araranguá, os adolescentes assumem também o papel de novos guardiões dessas histórias. O teatro se transforma, assim, em instrumento de memória, pertencimento e valorização da cultura local, garantindo que narrativas que poderiam se perder com o passar do tempo continuem sendo contadas, conhecidas e reinventadas.

Ficha técnica:
Direção e Produção: Julia Teixeira
Sonoplastia e Iluminação: Vitória Dominique
Cenário: Julia Teixeira
Figurino: Julia Teixeira, Vitória Dominique e Amanda Marques
Produção Cultural Geral: Renata Hahn e Amanda Marques
Texto original: Cátia Hahn e Cia. Teatral Bocarela das Palavradas
Elenco: 19 adolescentes da Oficina de Teatro Popular da Casa da Fraternidade

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